Jogos que entraram para a história da NFL A U.S. flag is spread out across the football field before the start of the NFL football game between the Ravens and Steelers in Baltimore - A U.S. flag is spread out across the football field before the start of the NFL football game between the Baltimore Ravens and Pittsburgh Steelers in Baltimore, Maryland September 11, 2011. Pre-game ceremonies were held in honor of the 10th anniversary of the attacks on New York and Washington D.C. on September 11, 2001 (9/11). […] Full view

A U.S. flag is spread out across the football field before the start of the NFL football game between the Baltimore Ravens and Pittsburgh Steelers in Baltimore, Maryland September 11, 2011. Pre-game ceremonies were held in honor of the 10th anniversary of the attacks on New York and Washington D.C. on September 11, 2001 (9/11). REUTERS/Joe Giza (UNITED STATES - Tags: SPORT FOOTBALL)

Jogos que entraram para a história da NFL

É fato que inúmeros jogos da NFL entraram para história, por causa de um resultado surpreendente, devido ao equilíbrio na partida, pela quebra de algum recorde, entre outros. Mas tem alguns jogos que se tornaram inesquecíveis por fatos que vão além do futebol americano, se tornaram históricos por toda uma simbologia que os envolveram. Neste texto recordarei alguns jogos que ficaram marcados por fatores externos, fatos históricos ou curiosidades.

Morte de John Lennon anunciada ao vivo

O primeiro da lista aconteceu no dia 8 de dezembro de 1980, uma segunda-feira. Miami Dolphins e New England Patriots se enfrentavam em Miami pela semana 14 da temporada regular. Seria mais um Monday Night Football, se aquele dia tivesse sido um “dia normal”.

Perto do fim do jogo, Howard Cosell, que comentava o jogo pela ABC se viu obrigado a deixar o esporte um pouco de lado para anunciar uma notícia que abalaria o mundo, Cosell anunciaria ao vivo a morte do ex-Beatle, John Lennon.  Enquanto o kicker dos Patriots, John Smith (notaram a coincidência de nomes), se preparava para chutar um field goal, Howard Cosell disse: “Sim, temos que dizer. Lembre-se que este é apenas um jogo de futebol, não importa quem ganha ou perde. Uma tragédia indescritível foi confirmada pela ABC News em Nova York: John Lennon, do lado de fora de seu apartamento, no West Side de Nova York, o mais famoso, talvez, de todos os Beatles, levou dois tiros nas costas, foi levado ao Roosevelt Hospital, onde chegou morto. Difícil de voltar para o jogo depois dessa notícia…”. Você pode conferir o momento do anúncio aqui.

Histórias da época dão conta que Cosell hesitou, e muito, antes de fazer o anúncio, mas se vira obrigado, pois a ABC queria ser uma das primeiras a dar a trágica notícia.

Depois da tragédia, é hora de voltar pra casa

A cidade de New Orleans foi praticamente devastada pelo Furacão Katrina que atingiu a cidade em setembro de 2005. Entre as inúmeras construções que foram destruídas, estava o Mercedes-Benz Superdome, estádio do New Orleans Saints, que além dos estragos, ainda serviu de abrigo a milhares de desabrigados.

Isso impossibilitou que o Saints mandasse seus jogos em casa e durante a temporada 2005/06, perambulou por Giants Stadium, Alamodome, em San Antonio, Texas, palco tradicional de jogos universitários e Tiger Stadium, em Baton Rouge, Louisiana, estádio da LSU. Sem sua “verdadeira casa” o time amargou uma campanha de 3 vitórias e 13 derrotas.

Mas depois de mais de um ano sem jogar em casa, o New Orleans Saints finalmente voltaria a jogar no seu estádio no dia 26 de setembro de 2006, em partida contra o Atlanta Falcons.

return superdome

Setenta mil pessoas lotaram o Superdome e os Saints levaram uma verdadeira injeção de motivação para esta partida, tanto que com menos de 2 minutos de jogo, o time bloqueou um punt e Curtis Deloatch recuperou a bola na endzone anotando o primeito TD do jogo. Os Saints venceram a partida 23 a 3.

Veja as estatísticas desse jogo aqui.

Nada de luto na NFL

No dia 22 de novembro de 1963, o então presidente John Kennedy, foi assassinado a tiros, enquanto desfilava em carro aberto na cidade de Dallas. Mesmo com a comoção popular pela morte de um dos mais queridos presidentes americanos, o então comissário da NFL, Pete Rozelle, optou por manter os jogos da liga naquele fim de semana. Nenhuma partida foi transmitida pela TV no domingo, dia 24, pois faziam a cobertura da morte e funeral de Kennedy.

Rozelle, contou que, atendeu um pedido da secretária do presidente para manter os jogos, porém antes de sua morte em 1996, ele assumiu ter errado na sua decisão, dizendo que “fora a minha pior decisão como comissário”.

Todos os jogos daquele domingo foram disputados num clima de luto total, mas dois merecem destaque. Na Philadelphia, os Eagles receberam o Washington Redskins e relatos da época dão conta que cada jogador dos Eagles doou 50 dólares a família de J. D. Tippit, policial de Dallas que foi assassinado ao tentar prender Lee Harvey Oswald, assassino do presidente Kennedy.

Bandeira a meio mastro em Minnesota (que recebia os Lions), 2 dias após o assassinato de Kennedy - Foto: AP File
Bandeira a meio mastro em Minnesota (que recebia os Lions), 2 dias após o assassinato de Kennedy – Foto: AP File

Outro jogo que aconteceu no dia 24 que merece ser lembrado é a derrota do Dallas Cowboys para o Cleveland Browns, em Cleveland. Muitos jogadores dos Cowboys relataram em entrevistas que foram hostilizados por parte da torcida por serem da cidade onde aconteceu o homicídio de Kennedy.

Depois dessa, é bom pagarmos as zebras

A temporada de 2012-13 da NFL começou com uma greve dos árbitros profissionais, pois a liga e Associação de Árbitros não chegaram a um acordo um financeiro. Para não adiar o inicio da temporada regular a NFL decidiu escalar para os jogos árbitros de ligas menores, praticamente amadores, pois os árbitros da 1ª divisão da NCAA não foram chamados para não prejudicar os jogos de futebol americano universitário.

Juízes sem experiência apitando jogos de alto nível como os da NFL, era evidente que erros, algumas vezes grotescos, acontecessem. Mas o lance que mudaria essa história de vez e forçaria a Associação de Árbitros e NFL a chegarem a um acordo aconteceria no dia 24 de setembro, em uma partida entre Green Bay Packers e Seattle Seahawks.

O time da casa perdia por 12 a 7 e restavam 8 segundos para o fim do jogo. No desespero de vencer, o quarterback R. Wilson lança a bola direto para a endzone, a famosa “hail mary”, a partir de então a vida de Lance Easley, um dos árbitros do jogo, nunca mais seria mesma.

Easley entendeu que Golden Tate, de Seattle, fizera a recepção e marcou o TD, contrariando a marcação de outro árbitro, que estava tão próximo do lance quanto ele e dera passe incompleto. Após a revisão da jogada, o TD foi confirmado e o lance passou a ser conhecido como “fail mary”. Easley sofreu diversas ameaças pela sua marcação, decidiu abandonar o apito e ainda escreveu um livro contando a história deste histórico, e bizarro, lance. Você pode conferir uma reportagem especial produzida pela ESPN americana em setembro, que “comemorou” um ano de fail mary, clicando aqui. Veja apenas o lance em questão, aqui.

Depois da bizarra marcação, as criticas, que já eram muitas, em relações aos árbitros amadores aumentaram ainda mais e a NFL e Associação de Árbitros se viram obrigados a agilizarem o acordo entre eles, o que aconteceu dois depois desse jogo, em 26 de setembro.

O pós 11 de setembro

Sem dúvida alguma o acontecimento mais marcante e triste da recente história mundial foi o que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, onde uma série de ataques terroristas mataram milhares de pessoas. Na manhã daquele dia dois aviões se chocaram com as torres do World Trade Center, em Nova York, que mais tarde desabaram. Outro avião se chocou com o pentágono e uma quarta aeronave caiu na Pensilvânia, depois de os passageiros se rebelarem contra os terroristas. Segundo relatos da época, essa aeronave teria como alvo a Casa Branca, onde reside o presidente americano, que na época era George W. Bush.

E claro que esses acontecimentos interferiram nos esportes. A temporada regular NFL tinha acabado de começar. A primeira rodada terminou no dia 10, coincidentemente com um jogo do New York Giants, que perdeu para os Broncos, em Denver.

A segunda semana, que começaria na quinta-feira, dia 13, foi adiada, pois era evidente que não tinha clima, e nem segurança, no país para a realização dos jogos. Mas passados doze dias dos atentados, era preciso que a vida começasse a voltar ao normal, e a segunda semana de jogos começou no dia 23.

Como se sabe, o povo americano é muito nacionalista, tem um amor incondicional pelo seu país e o clima de comoção em todos os jogos daquele domingo era evidente. Bandeiras dos Estados Unidos espalhadas pelas arquibancadas e na mão dos jogadores, emoção na execução do hino nacional e nos jogos que envolveram os times de Nova Iorque, Giants e Jets, a emoção parecia ser em dobro, faixas com os dizeres “I LOVE NY” estavam por toda parte, inclusive nas torcidas adversárias. Em Kansas, os Giants bateram os Chiefs por 13 a 3 e os Jets bateram os Patriots por 10 a 3 fora de casa.

Veja aqui como foi o inicio dos jogos deste dia.

E no dia 30 de setembro, o futebol americano voltava pela primeira vez em NY após os ataques. Sobre um forte esquema de segurança, os Giants receberam os Saints no “finado” Giants Stadium.

O jogo também foi marcado por homenagens às vitimas e oficiais que trabalharam no 11 de setembro e o clima de luto e pesar ainda estava presente nos nova iorquinos, que tiveram pelo menos um momento de alegria. O QB Kerry Collins lançou para 135 jardas e os Giants venceram por 21 a 13.

No outro dia, segunda, 1º de outubro, foi a vez do New York Jets se encontrar com sua torcida após o fatídico 11 de setembro. Antes do jogo, um tributo às equipes de resgate que trabalharam nas Torres Gêmeas do World Trade Center, emocionou a todos no estádio.

Comandado por Vinny Testaverde, os Jets não foi páreo para o San Francisco 49ers, que com a ajuda do QB Jeff Garcia, venceu por 19 a 17.

10 anos depois do 11 de setembro

Sem dúvida o 11 de setembro ficará marcado na memória dos Estados Unidos e do mundo e sempre que possível as vitimas dos atentados serão lembradas e homenageadas.

O primeiro fim de semana com jogos da temporada 2011-12 da NFL começou no dia 11 de setembro de 2011, exatos dez anos depois dos atentados. O dia foi marcado, como era de se esperar, por centenas de homenagens aos mortos dos ataques em todos os Estados Unidos, principalmente em NY. Mas havia um temor, mesmo que pequeno, que terroristas aproveitassem a data simbólica e realizasse novos ataques, o que por sorte, não aconteceu.

E o primeiro Sunday Night Football de 2011 aconteceu em Nova Iorque, no Metlife Stadium, onde o New Yotk Jets recebeu o Dallas Cowboys.  O hino nacional, entoado com orgulho e força por todos os presentes no estádio, a enorme bandeira americana cobrindo todo o campo e pequenas bandeirinhas nas mãos dos torcedores causaram emoção a quem acompanhava o jogo, seja in loco ou pela TV. No intervalo do jogo, mais homenagens às vitimas, que teve a participação especial de Robert DeNiro.

Bandeira gigante estendida estendida antes de Cowboys vs Jets - Foto: AP Photo/Julio Cortez
Bandeira gigante estendida estendida antes de Cowboys vs Jets – Foto: AP Photo/Julio Cortez

A partida terminou com a vitória dos Jets por 27 a 24. Destaque para Darrelle Revis, que perto do fim do jogo interceptou um passe de Tony Romo e deixou os Jets em posição de chutar o field goal da vitória.

Veja o hino americano antes do jogo.

*Este é um texto colaborativo, o qual representa a opinião do autor e não a opinião do 11jardas.com e seus editores* Quer ser um colaborador do 11 Jardas? Então cadastre-se em www.11jardas.com/PARTICIPE.

Escrito por Carlos Oliveira

Colinense, sou apaixonado por esporte e adoro escrever. Já fui radialista e jornalista esportivo. Sempre me interessei por futebol americano, mas foi em 2010 entrei de vez no mundo do FA, quando comecei a acompanhar os jogos e estudar o esporte, não sou um expert, mas a cada procuro me informar e aprender mais sobre FA. Sou torcedor dos Patriots.